PT articula novo encontro de Lula com MDB e nomes da 3ª via


Apesar das críticas enfrentadas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por sua reaproximação com figuras do MDB, como ficou bastante claro no jantar oferecido pelo ex-senador Eunício de Oliveira (MDB-CE) na última quarta-feira (6/10), parlamentares petistas têm se dedicado a ampliar ainda mais as conversas no Congresso com o objetivo de vencer a resistência antipetista.

Enquanto é cedo para a definição de apoios mútuos, a ordem no PT é manter a capacidade de diálogo com forças que podem até se enfrentar nas eleições. Dessa forma, se não houver possibilidade de união para uma disputa em primeiro turno, que sejam possíveis conversas em eventual segundo turno.

A tônica antibolsonarista é o chamariz utilizado pelo PT. Apesar das rusgas passadas, o que deve prevalecer é o pragmatismo político. Além dos emedebistas que já participaram do jantar de Eunício, Lula busca neste momento, por meio da bancada de senadores petistas, ampliar o diálogo para um grupo que envolve mais 15 senadores.

Entre eles, está a senadora Simone Tebet (MDB-MS), nome pensado pelo presidente do MDB, Baleia Rossi (SP), para encarnar uma candidatura de terceira via.

Entre eles, está a senadora Simone Tebet (MDB-MS), nome pensado pelo presidente do MDB, Baleia Rossi (SP), para encarnar uma candidatura de terceira via.

Articulação

O grupo já chegou a se reunir sob a batuta dos senadores petistas Paulo Rocha (PA) e Jaques Wagner (BA). A intenção agora é avançar para um novo jantar com Lula, nas próxima semanas, em data ainda a ser marcada.

Além de Simone, também estão no grupo os senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE), que chegou a se encontrar com Lula no Ceará; Zenaide Maia (Pros-CE), aliada da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT); e Weverton Rocha (PDT-MA), que pediu apoio de Lula para tentar se eleger ao governo do Maranhão.

Outros integrantes da lista de convidados petistas são os senadores Confúcio Moura (MDB-RO), que está licenciado do Senado e que presidiu, até o fim de setembro, a Comissão Temporária da Covid-19, que acompanha as ações de combate à pandemia; e Wellington Fagundes (PL-MS), reconhecidamente bolsonarista.

Cúpula da CPI

A cúpula da CPI da Covid também está na relação. Renan Calheiros (MDB-AL) se absteve de comparecer ao jantar oferecido por Eunício antes da conclusão dos trabalhos da comissão, da qual é relator, mas pode estar no próximo.

Da mesma forma, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), espera a conclusão dos trabalhos para poder se encontrar com Lula, embora já tenha conversado com o ex-presidente por telefone.

Constam ainda na lista o senador Fabiano Contarato (Rede-ES), que está de mudança de partido e já recebeu convite de Lula para se filiar ao PT, e Otto Alencar (PSD-BA), que deve compor a chapa majoritária encabeçada por Wagner ao governo da Bahia.

Outros nomes do MDB que estão na agenda de contatos petista são Veneziano Vital do Rego (PB), e Marcelo Castro (PI). Os dois já estiveram no jantar na casa de Eunício.

Sem segredos

Lula e o PT não têm feito segredo da busca. Em Brasília, o petista afirmou que pretende “conversar com todo mundo” do meio político.

“Eu estou conversando com todas as forças políticas e com quem mais puder conversar. Eu tenho dito que eu não estou candidato. Só vou decidir isso no início do ano que vem. Eu ainda não decidi, porque vou decidir no momento certo. Eu vou conversar com todo mundo”, declarou, durante entrevista em Brasília.

“Estou numa fase de conversar com partido político, com empresários, vou conversar com intelectuais e vou conversar com a sociedade brasileira. Porque consertar este país é responsabilidade de todos nós. É preciso dar muita competência para essa juventude neste momento que as pessoas estão virando algoritmos. Precisamos resolver como dar oportunidade de trabalho para essa meninada”, disse o ex-presidente.

Metrópoles