“PL é adequado à nossa ideologia”, diz ministro Rogério Marinho


Recém-filiado ao Partido Liberal, o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, avaliou como “essencial” o casamento bolsonarista com a sigla para as eleições de 2022. Em entrevista exclusiva ao Metrópoles, Marinho disse que o PL se adequa à ideologia dele e do presidente Jair Bolsonaro. Os dois entraram nos quadros do partido no mesmo dia, na terça-feira (30/11).

“O PL é um partido que tem um programa voltado para a livre iniciativa, para o empreendedorismo, para a defesa do direito à propriedade e de valores ligados à família. É um partido que se adequa à questão ideológica do presidente da República e à minha também”, disse Marinho (confira a partir de 1’14”).

A filiação ao PL é uma das etapas do plano bolsonarista para “criar palanque” em diversos estados, inclusive no Rio Grande do Norte, estado onde Marinho nasceu e onde construiu sua trajetória política. O ministro é pré-candidato ao Senado pelo RN.

Em referência ao colega de Esplanada Fábio Faria, ministro das Comunicações, Marinho disse esperar que não haja uma disputa entre os dois, já que Faria também é do RN e deseja disputar o Senado pelo estado. Durante o discurso antes da filiação, Bolsonaro afirmou que Marinho e Faria devem chegar a um entendimento.

“O que eu espero que não ocorra é que dois ministros do presidente disputem o mesmo cargo. Isso não é racional. A minha pré-candidatura existe por causa do presidente”, disse Marinho (2’50”).

Um dos projetos mais importantes do Ministério do Desenvolvimento Regional, a Transposição do Rio São Francisco teve trechos inaugurados na atual gestão. Segundo Marinho, as obras já acabaram e a última etapa levará água para torneiras de nordestinos no RN, no início de 2022.

“O que resta agora, para que a água chegue ao último estado do Nordeste setentrional, que é o Rio Grande do Norte, meu estado, é o desassoreamento do Rio Piranhas-Açu. As águas vão chegar no Rio Grande do Norte em meados de janeiro”, resumiu.

Rogério Marinho e a colunista Isadora Teixeira na redação do Metrópoles
Ministro se declarou satisfeito com filiação ao PL: “Queremos palanque para o presidente”, disseGustavo Moreno/Especial Metrópoles

“Leite derramado”
Durante a entrevista concedida ao Metrópoles, Marinho também falou da histórica divergência política com a governadora do RN, Fátima Bezerra (PT), da expectativa de envio do texto do marco hídrico para o Congresso Nacional nos próximos dias e das emendas de relator, chamadas de orçamento secreto.

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber determinou a suspensão liminar dos pagamentos das emendas de relator. Nesta semana, o Congresso aprovou a regulamentação desse dispositivo, a fim de dar mais transparência para as indicações de aplicação dos recursos públicos.

Marinho chamou de “leite derramado” as discussões sobre o tema: “O que discutimos hoje é a forma de aplicação do orçamento votado no ano passado”. O ministro destacou que o orçamento do próximo ano será votado até o início da 2ª quinzena de dezembro. “O orçamento vai ser votado até o dia 16 de dezembro. Depois, é aplicá-lo. Ao ministerio, cabe aplicar o orçamento, de acordo com o regramento que foi definido na lei. Não posso fazer nada além do que diz a lei e a lei definia que o Resultado Primário nª 9 (RP9) era definido pelo relator do orçamento”, disse.

Segundo Marinho, o Ministério do Desenvolvimento Regional tem aproximadamente R$ 2,7 bilhões parados em função da suspensão judicial da aplicação dos recursos dessas emendas. “Se não executarmos o recurso, não será utilizado, volta para o Tesouro e, via de regra, vai para abater dívida”, disse.

Metrópoles