10 de abril de 2026

Ozempic apresenta novo efeito colateral surpreendente, revela amplo estudo publicado na The Lancet


Um estudo em larga escala vai na contramão de um pesquisa publicada há um ano que indicou que a classe de medicamentos poderia ter efeito contrário na saúde mental

Medicamentos análogos do GLP-1, como a semaglutida (princípio ativo do Wegovy e Ozempic) e a tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro), amplamente utilizados para perda de peso e diabetes, podem também oferecer benefícios inesperados para a saúde mental, de acordo com um novo estudo publicado na revista científica The Lancet Psychiatry.

A extensa análise baseada em registros foi conduzida por pesquisadores da Universidade da Finlândia Oriental, do Instituto Karolinska em Estocolmo e da Universidade Griffith na Austrália. O estudo acompanhou quase 100 mil indivíduos utilizando registros nacionais suecos de 2009 a 2022, incluindo mais de 20 mil pessoas que usaram esses medicamentos.

Os resultados mostraram que o uso de medicamentos análogos do GLP-1, especialmente a semaglutida, esteve associado a menos hospitalizações e afastamentos do trabalho relacionados a problemas psiquiátricos. Durante os períodos em que os participantes usaram semaglutida, esses riscos foram 42% menores em comparação com os períodos sem tratamento. O risco de depressão diminuiu 44%, enquanto os transtornos de ansiedade reduziram 38%.

O uso de semaglutida também foi associado a um menor risco de transtornos por uso de substâncias. As internações hospitalares e os afastamentos do trabalho relacionados ao uso de substâncias foram 47% menores durante os períodos de tratamento. Além disso, os agonistas do receptor GLP-1 foram associados a um risco reduzido de comportamento suicida.

“Um estudo anterior, que analisou registros suecos, descobriu que o uso de medicamentos GLP-1 estava associado a um risco reduzido de transtorno por uso de álcool. Problemas relacionados ao álcool frequentemente têm efeitos subsequentes no humor e na ansiedade, então esperávamos que o efeito fosse positivo também nesses aspectos.”, diz um dos autores do estudo, o professor Mark Taylor da Universidade Griffith, em comunicado.

Ainda assim, a força da associação surpreendeu os pesquisadores.

“Como este é um estudo baseado em registros, não podemos determinar exatamente por que ou como esses medicamentos afetam os sintomas de humor, mas a associação foi bastante forte. É possível que, além de fatores como a redução do consumo de álcool, melhorias na imagem corporal relacionadas à perda de peso ou alívio associado a um melhor controle glicêmico no diabetes, também possam existir mecanismos neurobiológicos diretos envolvidos, por exemplo, por meio de alterações no funcionamento do sistema de recompensa do cérebro”, afirma o diretor de Pesquisa, Docente Markku Lähteenvuo, da Universidade da Finlândia Oriental.

O novo estudo contradiz uma pesquisa publicada há um ano na na revista científica Current Neuropharmacology que analisou uma potencial ligação entre os análogos de GLP-1 e alterações cerebrais associadas a um maior risco de depressão e ideação suicida. Os resultados apontaram para caminhos genéticos que podem justificar uma relação entre os sintomas e os medicamentos em determinados pacientes.

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