Fátima: uma cidade deserta com o Santuário vazio, só um milagre pode salvar a economia local
Sem peregrinos nem turistas nas ruas, a cidade agoniza. A restauração, a hotelaria e o comércio falam de um desastre nunca imaginado nos últimos cem anos. A terra onde a fé alimentou riqueza está à procura de um novo caminho
“Nós temos fé, temos muita fé. Mas o comércio, a restauração e a hotelaria estão a viver um período muito complicado. Isto vai ser um ano terrível”. Purificação Reis, presidente da ACISO (Associação Comercial e Industrial de Ourém) tenta escolher as palavras para descrever o ambiente económico de Fátima, mas não há como. Se desde o início da pandemia provocada pela covid-19 o comércio local começou a ressentir-se do confinamento, como em todo o país, os dias que correm mostram-se mais dolorosos. Porque à medida que se aproxima o 13 de maio, comerciantes, hoteleiros, operadores e trabalhadores mergulham mais fundo na realidade: o que não está fechado, não tem clientes.
Na verdade, a maioria dos negócios está fechada. “Não se justifica estarem abertos, porque é um custo que não se consegue suportar”, acrescenta Purificação Reis, que continua a desdobrar-se em contactos com o Governo, em plataformas várias, para tentar encontrar caminhos que salvem a economia local. Aquela que até há dois meses tinha um peso enorme no todo nacional, e que por esta altura estaria ao rubro: maio é a época alta de Fátima, quando os hotéis estão lotados e as reservas nos restaurantes se estendem até ao verão. Era assim no Tia Alice, esse cartão de visita da gastronomia local, desde 1988.
“Tínhamos tudo reservado para estes dias, e uma taxa de reservas nunca vista até ao próximo verão”, conta António Marto, um dos filhos de Alice, 85 anos, fundadora e mestre da cozinha. Os seis filhos trabalham no restaurante (dois homens e quatro mulheres), integrando assim o total de 15 funcionários, Desde meados de março que a porta do Ti Alice só se abre ao sábado, quando alguns dos irmãos se juntam para acender o forno a lenha, cozer pão, e distribuí-lo pelos trabalhadores, que estão em lay-off.
“É uma forma de nos mantermos vivos e ativos”, admite António Marto, que ainda não avança uma data para a reabertura do espaço. Mas é quase certo que não será a 18, como a maioria. Ele e os irmãos vão agora definir um plano para o funcionamento do restaurante, embora de alguma forma se considerem “uns privilegiados: temos três salas, uma delas com jardim, e há muito tempo que já trabalhávamos com dois horários ao almoço – 12.30 e 14.30 – o que nos vai facilitar o esquema de trabalho”.
FONTE: DIÁRIO DE NOTÍCIAS












