“Esse defunto foi finalmente enterrado”, diz Barroso sobre voto impresso


Foto: Sérgio Lima

O ministro Roberto Barroso, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), disse nesta 2ª feira (4.out.2021) que o voto impresso é um “defunto” que “finalmente foi enterrado”.

A declaração feita a jornalistas depois da cerimônia de abertura do código-fonte da urna eletrônica. O procedimento serve para especialistas avaliarem se o código de programação da urna funciona corretamente e tem vulnerabilidades.

Barroso foi questionado sobre uma fala de Jair Bolsonaro (sem partido) à revista Veja. O presidente da República disse que não tem motivos para “duvidar do voto eletrônico”, já que as Forças Armadas participam do processo eleitoral. Barroso também lembrou que a Câmara dos Deputados derrubou a proposta que buscava tornar obrigatório o voto impresso.

“Tenho a impressão que depois que a Câmara dos Deputados votou [contra o voto impresso], o presidente do Senado disse que não reabriria a matéria e que o presidente da República disse que confia no voto eletrônico, que esse defunto finalmente foi enterrado”, disse.

Barroso afirmou, no entanto, que a abertura do código-fonte foi antecipada pelo TSE para conter argumentos contra a urna eletrônica. Tradicionalmente, o procedimento começa 6 meses antes das eleições. Dessa vez, o TSE decidiu abrir o código 1 ano antes da disputa eleitoral.

“O TSE utiliza as urnas há 25 anos sem precedentes de fraude. Portanto, sempre estivemos convencidos da segurança, transparência e auditabilidade do sistema. O que aconteceu, e que todos viram, foi uma campanha que de certa forma criou algum grau de desconfiança nas urnas”, disse.

“O presidente da República, uma liderança nacional, falava diariamente, com frequência, contra as urnas, colocando em dúvida a nossa credibilidade. A consequência disso foi que uma parcela pequena, mas de mais de 20% da população, passou a ter algum tipo de dúvida. Como consequência, o TSE teve a preocupação de esclarecer a essa parcela da população que tinha dúvida acerca do sistema”, disse o presidente do TSE.

O ministro também lembrou a criação da Comissão de Transparência Eleitoral, que conta com a presença das Forças Armadas, de partidos políticos, da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), de universidades, entre outros. O grupo fiscalizará as eleições.

“Para desfazer a névoa de desconfiança que se criou, nós lançamos todos os focos de luz possíveis. Agora, uma coisa que aprendi na vida é que a gente não seduz quem não quer ser seduzido. Portanto, estamos nos dirigindo às pessoas que, em boa-fé, tinham dúvida”, afirmou Barroso.

Poder360