11 de junho de 2020

Em Milão, famílias querem recuperar corpos de vítimas de covid-19


Do Jornal Diário de Notícias – Milão foi e continua a ser o epicentro da pandemia de covid-19 em Itália. No caos que se gerou quando a doença chegou ao país – com hospitais sobrecarregados de doentes e morgues sem espaço para cadáveres – houve vítimas sepultadas no Campo 87, destinado ao corpos que nunca foram reclamados, mas que tinham família.

Agora, os familiares – muitos deles estavam a recuperar da doença quando as mortes aconteceram – querem recuperar os restos mortais para dar aos pais, irmãos e companheiros um funeral digno.

O Guardian conta como os túmulos de 128 vítimas estão marcados apenas com uma simples cruz branca de plástico: ali estão registados apenas o nome e o número da campa.

O Campo 87 é uma secção do cemitério Maggiore, em Milão, destinada a vítimas do novo coronavírus cujos corpos não foram reclamados. Chegaram de hospitais ou de morgues sobrecarregados durante o auge da pandemia. Algumas destas pessoas morreram em lares, outras em casa, sozinhos.

Mas são as famílias das vítimas que ali foram enterradas por engano que estão a tentar reclamar os restos mortais dos seus entes queridos, o que poderá ser impossível, pelo menos para já – a lei dita que o cadáver de alguém que morreu devido a doença infecciosa só pode ser exumado depois de dois anos.

“Durante o estado de emergência, foi tudo muito intenso e caótico e certamente que houve erros”, afirmou Walter Marini, um advogado que representa a família de Vittorio Domeniconi, que morreu aos 90 anos, citado pelo jornal britânico.
Prazo de 30 dias para reclamar corpos foi reduzido para cinco dias
“Mas agora que a situação melhorou, as famílias devem poder recuperar os corpos e dar um funeral adequado aos seus entes queridos”, frisou.

Domeniconi, um antigo polícia e motorista de autocarro, foi das primeiras vítimas mortais de covid-19 em Milão. Morreu no hospital a 5 de março, poucos dias antes da região entrar em confinamento,

Numa situação normal, a família teria 30 dias para reivindicar corpo e preparar o funeral, mas a 13 de março, devido à pandemia, este prazo foi reduzido para cinco dias.

A mulher e os dois filhos de Domeniconi foram informados da morte, mas os três ficaram doentes, também eles infetados com o novo coronavírus, Quando, a 20 de março, ligaram para a morgue do hospital descobriram que o corpo de Domeniconi estava a prestes a ser enterrado no Campo 87. Não conseguiram levar o corpo para o local da cremação e deixar as cinzas no local que tinham escolhido.

Existem pelo menos mais três famílias em situação semelhante, segundo uma investigação do Corriere della Sera.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *