13 de maio de 2026

Deputado lava barba com detergente Ypê em vídeo e ironiza decisão da Anvisa


O deputado federal Sargento Fahur (PL-PR) publicou, nesta terça-feira (12), um vídeo nas redes sociais em que aparece lavando o próprio bigode com detergente da marca Ypê. Na gravação, o parlamentar diz “eu uso Ypê” e ironiza a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que suspendeu lotes de produtos da empresa por suspeita de falhas sanitárias.

O vídeo viralizou e parte dos internautas passou a questionar a decisão da agência, alegando motivação política por envolver uma empresa associada a empresários que apoiaram a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022.

A controvérsia começou após a Anvisa determinar a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de produtos da marca Ypê, além do recolhimento de lotes específicos. Segundo a agência, a medida foi adotada após a identificação de falhas graves na produção e risco de contaminação microbiológica. A orientação oficial é que consumidores com produtos dos lotes especificados suspendam imediatamente o uso e entrem em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor da empresa.

A decisão atingiu detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes fabricados pela Química Amparo, na unidade de Amparo, em São Paulo. De acordo com informações divulgadas pela Anvisa, os produtos afetados são os lotes com numeração final 1.

Mesmo com o alerta da agência reguladora, parlamentares e influenciadores passaram a publicar vídeos utilizando os produtos alertados pela Anvisa. Em algumas gravações, apoiadores do ex-presidente Bolsonaro aparecem ingerindo pequenas quantidades de detergente, aplicando o produto na pele ou ironizando os riscos apontados pela Anvisa.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, rebateu as acusações de perseguição política e negou que a Anvisa tenha “lado partidário”. Ele também afirmou que o diretor responsável pela decisão na agência foi indicado durante o governo Bolsonaro.

A Anvisa, por sua vez, sustenta que a medida tem caráter técnico e preventivo. A agência informou que a decisão foi tomada diante de falhas relacionadas à garantia e ao controle de qualidade, com possível risco de contaminação microbiológica nos produtos atingidos.

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