Coronavírus: número de passageiros cai até 77% nos transportes de Natal
O setor de transporte da cidade do Natal registrou, de segunda (31) até quinta-feira (02), queda em até 77% no número de passageiros, depois que o Poder Público recomendou isolamento social como forma de prevenção ao novo Coronavírus. O Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros do Município do Natal (Seturn), ressalta que a redução no fluxo de usuários nos ônibus da capital potiguar interfere diretamente na receita gerada para manutenção e efetividade do transporte público que o natalense utiliza todos os dias.
Em um balanço parcial, o Seturn, informou que a redução no movimento de passageiros das empresas Cidade do Natal, Conceição, Guanabara, Reunidas, Santa Maria e ViaSul, na segunda-feira (30) foi de 75% em relação à demanda normal do dia 10 de março. Foi uma queda de 301.709 para 75.893 de passageiros. Na quinta-feira (02) essa diminuição foi ainda maior com a frota transportando 69.861 pessoas, representando uma dimuinação de 77%.
Na quarta-feira (25), o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros do Município do Natal (Seturn), apresentou à Prefeitura de Natal um pedido de auxílio econômico e desoneração tarifária e subsídios. Com essa demanda atual de redução a arrecadação das empresas não tem sido suficiente para fazer frente sequer com relação as despesas operacionais diretas, como pessoal, combustível, peças e acessórios. Existe risco de colapso imediato do setor com a inadimplência das obrigações trabalhistas e fornecedores de combustível.
”Atualmente o preço técnico da tarifa é substancialmente inferior ao preço definido pelo poder público e esta situação fora demasiadamente agravada pela situação de calamidade pública, com a queda abrupta da demanda. Por isso, para manter o equilíbrio das contas, o pedido é da desoneração integral do imposto sobre serviço”, afirma Nilson Queiroga, consultor técnico do Seturn.
Além disso, o pedido de diálogo é também pelo subsídio do serviço do Programa de Acessibilidade Especial – PRAE – Porta a Porta, para que a prefeitura de Natal modifique a base de remuneração do programa da tarifa pública do transporte para o orçamento da saúde pública. E, por fim, o Seturn também apresenta pedido de socorro emergencial financeiro para que o município viabilize linha de crédito ou auxilie no pagamento as empresas de transporte público no período de quatro meses para o pagamento de parte dos salários de motoristas, cobradores e demais trabalhadores de transportes, a exemplo do Município de São Paulo, evitando assim a paralisação do setor.
”A receita das empresas é muito preocupante. Ela chega em torno de 25%, sendo insuficiente para arcar com os custos básicos. Só o pagamento de pessoal, se aproxima de 50% e o óleo diesel ultrapassa 20% da receita. Então, o pagamento dessas despesas gira em cerca de 70%, no total. Se as empresas só estão faturamento 25%, fica uma defasagem. Além dos demais custos de administrativo, peças e manutenção. Isso acaba resultando no caso em análise de um desequilíbrio econômico-financeiro continuado ano a ano. Essa prática tende a inviabilizar a prestação do serviço de transporte público e levar à falência de empresas em um primeiro momento, e do sistema como um todo na sequência”, diz Nilson Queiroga.














