02 de dezembro de 2025

Brasil faz primeiro disparo do Meteor, um dos mísseis mais letais do mundo em Natal


A Força Aérea Brasileira (FAB) marcou um significativo avanço para a soberania e o desenvolvimento tecnológico do país ao realizar, em novembro deste ano, o Exercício Técnico (EXTEC) BVR-X, em Natal (RN).

“A escolha por Natal é pelo fato de a região ser emblemática historicamente, por exemplo, devido a sua geografia por ser próxima ao mar e por proporcionar tanto uma área segura para o emprego do armamento, quanto à condição meteorológica, que tem uma tendência de ter céu claro nesta época do ano”, pontuou o Comandante da Base Aérea de Natal (BANT), Brigadeiro do Ar Breno Diogenes Gonçalves.

Com o objetivo principal de desenvolver e aperfeiçoar as capacidades operacionais da Força no emprego de armamentos além do alcance visual (BVR, do inglês, Beyond-Visual-Range), a atividade central do Exercício consistiu em dois disparos reais do míssil Meteor, a partir da aeronave F-39E Gripen contra alvos aéreos manobráveis Mirach 100/5. Os alvos simularam perfis de voo de caças em alta velocidade e altitude, garantindo um cenário desafiador para avaliar a precisão do míssil. O sucesso do EXTEC confirmou que o binômio F-39 Gripen e o Meteor é o pilar fundamental para que a FAB cumpra sua missão de defesa da pátria.

Planejamento e Execução de Alto Nível

As equipes do Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA) – Jaguar – participaram do Exercício com quatro aeronaves F-39E Gripen e o Grupo Logístico de Anápolis (GLOG-AN) ficou responsável por toda a preparação técnica e logística antes e depois dos voos.

“A preparação dos pilotos do 1ª GDA para a campanha de lançamento real do míssil do Exercício Técnico BVR-X já iniciou com um treinamento fornecido pela Empresa SAAB, fabricante dos caças. A partir disso, tivemos diversos treinamentos operacionais e de emprego do míssil Meteor e, com a proximidade da BVR-X, realizamos uma preparação específica, utilizando a principal ferramenta de simulação do Gripen, o mission trainer, que temos em Anápolis, para treinarmos nos cenários propostos para o Exercício”, ressaltou o Major Aviador Gregor Gaspar, do 1º GDA.

Para que a FAB pudesse planejar, executar, e avaliar um exercício tão complexo, a Empresa MBDA, fabricante do míssil, forneceu suporte e conhecimentos especializados para o Instituto de Aplicações Operacionais (IAOp). O envolvimento da MBDA na transmissão de conhecimentos essenciais à operação do armamento, permitindo a evolução doutrinária da FAB é parte do acordo de compensação (offset) preconizado no contrato de aquisição do armamento. Um acordo de compensação é uma negociação entre um país e um fornecedor estrangeiro, geralmente em grandes compras como defesa, para gerar benefícios industriais, comerciais e tecnológicos no país comprador, como a transferência de tecnologia. Este é um exemplo de como o programa Gripen e a aquisição de seus armamentos não trazem apenas equipamentos de ponta, mas também transferência de tecnologia, que é vital para o desenvolvimento técnico e científico do Brasil.

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