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Renda Cidadã: Maia defende suspensão de auxílios para bancar programa social


Presidente da Câmara diz que ‘todos os brasileiros terão de fazer algum sacrifício’ e que ‘de forma nenhuma’ o Orçamento de Guerra vai até 2021

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu a suspensão de auxílios por tempo determinado e a revisão de despesas no Orçamento da União, inclusive das Forças Armadas, para a construção do programa de transferência de renda, chamado agora de Renda Cidadã.

Em uma transmissão na internet para a XP Investimentos, na manhã do sábado, Maia chegou a citar a existência de R$ 200 milhões em despesas das Forças Armadas que poderiam ser cortadas, sem especificar a que gastos se referia. O deputado é defensor do teto de gastos e crítico de manobras para burlar o teto, aventadas para a construção do novo programa social.

— Vamos ter de fazer alguns sacrifícios. Todos os brasileiros terão de fazer algum sacrifício. A Câmara foi o poder que menos aumentou as despesas. Alguns auxílios podem ser suspensos por um tempo, as Forças Armadas têm despesas de R$ 200 milhões (que poderiam ser alteradas), não sei se ajudaria muito… Há 17, 18 itens no Orçamento que podem ser mexidos para encontrarmos os R$ 30 bilhões necessários para a construção de um novo programa — afirmou Maia.

Sem citar nomes, o presidente da Câmara afirmou ter sido procurado por um ministro do governo de Jair Bolsonaro com uma proposta para resolver o problema:

— Outro dia teve um ministro importante que me procurou, falou que vão tirar dos ricos para dar aos pobres. Eu disse a ele que os ricos não estão no Orçamento.

No evento da gestora, Maia disse que está descartado prorrogar o estado de calamidade pública, decretado em razão da pandemia do novo coronavírus, assim como da chamada PEC do Orçamento de Guerra, que permitiu a criação e a execução de despesas em condições fiscais diferenciadas. A calamidade pública se encerra em 31 de dezembro.

— A possibilidade de prorrogar a calamidade, de prorrogar a PEC da Guerra, não existe. Isto daria uma sinalização muito ruim praqueles que confiam e precisam de credibilidade, da âncora fiscal, para voltar a investir neste país — afirmou o presidente da Câmara.