Impasse na negociação com a Pfizer trava entrada da vacina no Brasil


No rol de vacinas contra a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, o imunizante desenvolvido pela Pfizer pode não chegar aos brasileiros. A proteção está sendo aplicada em 69 países.

Nesta segunda-feira (22/2), o laboratório afirmou a senadores que não aceita as exigências feitas pelo governo brasileiro vender a vacina ao país. O imbróglio envolve possíveis efeitos adversos após a imunização.

A Pfizer quer que o governo brasileiro se responsabilize por eventuais demandas judiciais ligadas à vacina, além de garantir o pagamento da compra por meio de um fundo garantidor.

Na reunião estavam presentes o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

A farmacêutica norte-americana quer que qualquer litígio com o governo brasileiro seja resolvido em uma Câmara Arbitral de Nova York.

Há alguns meses, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou as condições impostas pela multinacional. “Vamos supor que está escrito o seguinte: ‘Nos desobrigamos de qualquer ressarcimento ou responsabilidade com possíveis efeitos colaterais imediatos e futuros’. E daí, vocês vão tomar essa vacina?”, questionou.

No começo do mês, a Pfizer pediu à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o registro para o uso emergencial da vacina no Brasil. Até o momento, somente 25% da documentação avaliada foi concluída.

Parlamento negocia

Após a reunião, o Rodrigo Pacheco disse que conversará com o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, a fim de encontrar uma solução para o impasse.

Um dos possíveis caminhos, segundo Pacheco, será a adoção de emendas à medida provisória editada pelo presidente Bolsonaro, autorizando o governo a assumir riscos inerentes à vacinação com imunizante da Pfizer.

Pacheco também disse que apelou para que o laboratório levasse em consideração o longo tempo de negociações com o Brasil para seus medicamentos.

“Eu tenho muita crença que se pode solucionar esse impasse até agora com o presidente. Eu fiz um apelo aos laboratórios para que obviamente, já temos um sistema capitalista em que empresas privadas que buscam penetração de mercado, mas que haja um apelo humanitário”, disse.

Ele completa: “O Brasil é um parceiro muito antigo da Pfizer, por exemplo e a empresa terá essa boa relação que tem com o Brasil ao longo desse tempo todo”, destacou.

Randolfe Rodrigues criticou a forma que o Ministério da Saúde tem tratado as negociações.

“Todos os governos assumiram a cláusula da responsabilização civil, coisa que o Brasil ainda não fez, a despeito da oferta da empresa ter sido feita ainda em junho do ano passado”, reclamou.

Fonte: Metrópoles/Foto: Fábio Vieira